Presidentes

História dos Presidentes

Gen. Lefebure – Bélgica
1923-1924

Cel. Eimar Nermam – Suécia
1924-1935

Maj. Joseph Thulin – Suécia
1935-1958

Dr. Antônio Leal d’Oliveira. – Portugal
1958-1970

Dr. Pierre Seurin – França
1970-1983

John C. Andrews – Inglaterra
1984-2000

Prof. Dr. Manoel José Gomes Tubino – Brasil
2000-2008

Prof. Dr. Almir Adolfo Gruhn – Brasil
2009-2020

Introdução

A Fédération Internationale d’Education Physique – FIEP, fundada em 1923, no seu compromisso histórico, deixou marcas profundas na História da Educação Física mundial, tornando-se, com certeza, a principal protagonista desta área do conhecimento no século XX.
Ao celebrar seus 80 anos, uma passagem pelos episódios históricos da sua trajetória e suas interrelações com a própria evolução da Educação Física farão com que fatos memoráveis voltem a ser colocados no debate internacional.
A recuperação da longa caminhada da FIEP deve começar desde a idéia da criação de um organismo internacional para a Educação Física e chegar até o Manifesto Mundial FIEP 2000 da Educação Física, sem dúvida, última grande marca da nossa Federação Internacional antes das suas bodas de 80 anos.

A Ideia e Sua Evolução

A comunidade européia da Educação Física, desde o começo do século XX, defendia a criação de uma organização internacional para a Educação Física. Este propósito ficou claro no Congresso Internacional de Educação Física de Paris, realizado entre 30/8 e 6/9 de 1900. Na ocasião, foi constituída uma Comissão Permanente de Educação Física, com 16 países, que tinha D’Mosso (Itália) como presidente, Démeny (França) como vice-presidente e alguns membros de grande destaque internacional como Fosseprez (Bélgica), Cabezas (Chile), Klez (Dinamarca), Chryssafiz (Grécia), Torngren (Suécia) e outros.
Em julho de 1911, no Congresso Internacional de Odensée (Dinamarca), foi criado o Institution Internationale de l’Education Physique que era composto das seguintes personalidades da Educação Física daquela época: N.F. Sellen (Suécia) como presidente, Philippe Tissié (França) e Knudsen (Dinamarca) como vice-presidentes, De Genst (Bélgica) como secretário-geral e Meijers (Holanda) como tesoureiro. O Institution Internationale de l’Education Physique foi a organização precursora da FIEP. O trabalho deste Instituto foi interrompido pela I Guerra Mundial (1914-1918).

O Nascimento da Fiep Através da Fédération Internationale de Gymnastique Educative – FIGE, em 1923

Durante o Congresso Internacional de Bruxelas (Bélgica), em 1923, o presidente deste evento, o sueco Nerman, defendeu a criação da Fédération Internationale de Gymnastique Suedoise, para integrar a Educação Física nos Jogos Olímpicos, uma vez que tinham ocorrido demonstrações ginásticas nos Jogos de 1908, 1912 e 1920 (Londres, Estocolmo e Antuérpia). A idéia de Nerman ganhou espaço e no dia 11 de julho de 1923 era fundada a Fédération Internationale de Gymnastique Educative – FIGE, que constitui-se na própria criação da FIEP, que foi concebida inicialmente com esta denominação. Os seus primeiros estatutos, aprovados em 1923, são transcritos no idioma original (francês) e já expressavam o grande compromisso que a FIEP assumia desde a sua gênesis.

Aticle 1 – Il est fondé une Fédération Internationale de Gymnastique Educative, reunissant des Fédérations, ligues ou Unions de différentes nationalités qui basent le devéloppement physiques de la jeunesse sur la gymnastique éducative dérivant des principles scientifiques dont P.H. Ling a été le principal iniciateur.

Article 2 – La Fédération a pour buts:
1º) D’etablir une coopération internationale entre les associations;
2º) D’agir auprés des Pouvoirs Publics, de l’Université, des Etablissements D’Enseignement, et de l’opinion publique, au moyen de Congrés, Conferences, publications etc. afin de générali.

Por estes primeiros artigos dos seus estatutos, ficava nítido que a FIEP nascia influenciada por Per Henrick Ling e se comprometia de unir o mundo da Educação Física estabelecendo os eventos e as publicações como os seus meios de intervenção. A primeira diretoria foi:

Presidente: Lefebure (Bélgica)
Vice-Presidentes: Einar Nerman (Suécia)
Adolf Chéron (França)
Secretário-geral: M. de Genst (Bélgica)
Tesoureiro: Van Blijenburg (Holanda)

Os Primeiros Anos da FIEP

Conforme previsto nos seus estatutos, os primeiros anos da FIGE (FIEP) foram marcados pela orientação da Linha Doutrinária Sueca de Educação Física.
Alguns conflitos surgiram nos primeiros anos da FIEP. Entre eles, a FIEP foi palco de uma guerra de métodos entre a Union des Societés d’Education Physique e os militares que se utilizavam da Educação Física nas suas preparações. Além disso, a FIGE também lutava por uma exclusividade nas demonstrações ginásticas nos Jogos Olímpicos. Estes conflitos aumentaram consideravelmente até que em 1930, a então FIGE, troca o seu nome para Fédération Internationale de Gymnastique Ling – FIGL. Em 1930, a FIEP troca de diretoria:

Presidente: Einar Nerman (Suécia)
Secretário-geral: Berg Von Lide (Suécia)

Finar Nerman, como segundo presidente da FIEP, consolidou-a como o organismo internacional da Ginástica Ling. Foi lançado, em 1931, o Bulletin FIEP, no idioma sueco, e o seu primeiro conteúdo
foi a História da FIGE. No número dois do Bulletin FIEP (1923), o conteúdo recaiu sobre a aplicação do Sistema Ling na Ginástica Moderna e na Suécia, com a autoria do grande nome da Educação Física mundial da época, Joseph Thulin, que viria a ser o próximo presidente d FIEP.

O período Thulin (1935-1958)

Em 1935, a FIEP tem nova diretoria:

Presidente: Joseph Gottfrid Thulin (Suécia) (1930-1958)
Secretários: Berg Von Lide (Suécia) (1930-1939)
O. Kragh (Suécia) (1939-1958)

Thulin compromissou a FIEP com as Lingíadas em 1939 e realizou inúmeros congressos mundiais como: Bruxelas/1935 (Bélgica), Estocolmo/1939 (Suécia), Lisboa/1947 (Portugal), Estocolmo/1949 (Suécia), Bordeaux/1952 (França), Istambul/1953 (Turquia), Madri/1956 (Espanha) e Bruxelas/1958 (Bélgica).
O presidente Thulin também promoveu pela FIEP inúmeros cursos internacionais, como os de Lillsved (Suécia, 1946/1947), Genval (Bélgica, 1950), Nivelle (Bélgica, 1953) e outros. Ele também fez uma importante viagem à América do Sul, em 1951, introduzindo a FIEP na Argentina, no Brasil, no Chile, na Colômbia, no Peru, no Uruguai e na Venezuela.
Além de divulgar o Método Sueco pelo mundo, Thulin conseguiu manter a FIEP viva durante a II Guerra Mundial, continuando com o seu Bulletin.
Na Assembléia do Congresso Mundial FIEP de Istambul (1953), Joseph Thulin propõe e é aprovado o novo nome da Federação: Fédération Internationale d’Education Physique – FIEP.
Na década de 1950, Thulin percebe que a Educação Física não era mais regida por doutrinas e que para continuar fazendo parte da História da Educação Física, a FIEP precisava romper com a sua vinculação absoluta ao Método Sueco Ling. foi nesta perspectiva que passou o cargo, em 1958, para o português Antonio Leal de Oliveira, que viria a presidir a FIEP até 1970.

O Período Leal de Oliveira (1958-1970)

Quando Antonio Leal de Oliveira foi eleito presidente da FIEP, a diretoria deste organismo internacional ficou assim constituída:

Presidente: Antonio Leal de Oliveira (Portugal)
1º Vice-Presidente: Luis Bisquertt (Chile)
2º Vice-Presidente: Asmussen (Dinamarca)
Secretário-geral: Pierre Seurin (França)
Tesoureiro: Fernando Lacerda (Portugal)

Leal de Oliveira marcou a sua presença com inúmeros congressos mundiais como: Bruxelas/1958 (Bélgica), Helsinque/1959 (Finlândia), Lisboa/Luso-Brasileiro/1960 (Portugal), Liege/1962 (Bélgica), Rio de Janeiro/Luso-Brasileiro/1963 (Brasil), Paris/1963 (França, com a UNESCO), Luanda/Luso-Brasileiro /1970 (Angola), Lisboa/1970 (Portugal) e Lourenço Marques/1970 (Moçambique).
A FIEP, nesta gestão, realizou cursos e estágios em Bordeaux (França, 1959/1965/1968), Lisboa (Portugal, 1962/1965/1967/1970), Bruxelas (Bélgica, 1963/1967), Aix-de-Provence (França, 1963/1966), Varsóvia (Polônia, 1964) e Helsinque (Finlândia, 1970).
O principal trabalho de Antonio Leal de Oliveira foi constituir uma comissão, em 1958, para a elaboração do Manifesto Mundial FIEP de Educação Física, que seria editado em 1970, já na gestão de Pierre Seurin.

Pierre Seurin (1970-1984): 14 Anos de Mundialização da FIEP

Pierre Seurin, ao substituir Antonio Leal de Oliveira na presidência da FIEP, foi quem editou e difundiu o Manifesto Mundial FIEP de Educação Física. Na sua presidência, a FIEP, pela primeira vez, chegou aos demais continentes do mundo. A sua diretoria estava assim constituída

Presidente: Pierre Seurin (França)
Vice-Presidentes África: Noronha Feio (Moçambique)
Américas: Jayr Jordão Ramos (Brasil)
Ásia: Ikai (Japão)
Oceania: A. Willie (Austrália)
Europa: José Maria Cagigal (Espanha)

Secretários-gerais M. Raymond Benoit (Canadá)
Albano Estrela (Portugal)
Nota: John Andrews assumiu a Secretaria Geral em 1974
Tesoureiro: Fernando Lacerda (Portugal)
Nota: Monsinat assume a Tesouraria em 1974

Foi neste período que a FIEP atingiu todos os cantos do mundo pelo seu Manifesto, que passou a ser uma referência conceitual da Educação Física.
Durante o período Pierre Seurin, a FIEP passou por modificações estruturais importantes e também teve ações das mais relevantes para o cenário da Educação Física internacional. Pode-se citar:
a) A difusão do Manifesto em vários idiomas;
b) Na Assembleia de Gdansk (Polônia/1974), a FIEP passou a ser dividida nas sessões: Educação Física Escolar, Esporte para Todos e Ginástica Voluntária.
A FIEP integrou-se com outros organismos internacionais, inclusive, colaborando para a criação de novas instituições. Também fortaleceu-se na América Latina. Promoveu ainda o Prêmio Thulin, em 1966, vencido por Hermann Brandtt com a concepção do Tchouckball.
Em 1984, Pierre Seurin, após longa enfermidade, faleceu e o Secretário-Geral John Andrews assume a presidência. Um ano antes, devido a desastre aéreo, o mundo e a FIEP perdem também José Maria Cagigal, que foi substituído por Walter Duffour na vice-presidência para a Europa.

O período John Andrews (1984-2000)

O período histórico em que John Andrews permaneceu à frente da FIEP, caracterizou-se pela consolidação do organismo na América Latina e a expansão pelos países árabes. John Andrews contou com a seguinte diretoria:

Presidente: John Andrews (Inglaterra)
Vice-presidentes América do Norte:
Moolinizer (EUA)
e depois Robert Koehler (EUA)
Europa: Walter Duffour (Bélgica)
e depois Robert Decker (Luxemburgo)
América Central e Caribe: Cevadas (Costa Rica)
e depois Arnaldo Rivero Fuxa (Cuba)
América do Sul: Jacintho Targa (Brasil)
e depois Manoel Tubino (Brasil)

Secretário-geral: Ghislaine Ouvrard (França)
Tesoureiro: Jacky Bourguignon (França)

No período de John Andrews pode-se citar como avanços da FIEP:
a) A criação da Seção Científica da FIEP, entregue inicialmente a Liisa Heinila e depois a Pierre Parlebas;
b) A FIEP ficou com três seções: Científica, Educação Física Escolar e Esporte para Todos;
c) Uma edição em português do Bulletin FIEP pelo delegado brasileiro Hebert Dutra e outra em espanhol pelo delegado mexicano Acosta;
d) A América Latina tornou-se a região de atuação mais efetiva da FIEP com os eventos de Foz de Iguaçu (Brasil), Córdoba (Espanha) e San Luis de Potosi (México);
e) A FIEP conseguiu importante parceria com a Confederação Árabe de Esportes para a promoção do Prêmio Prince Faisal;
f) O número de países com delegados da FIEP aumentou muito no mundo, ultrapassando 120;
g) AFIEP colaborou com a Foundation of Sport and Olympic Education – FOVE no desenvolvimento da Educação Olímpica; h) John Andrews encarrega Manoel Tubino, em 1996, a coordenar e redigir o Manifesto Mundial da Educação Física, que seria adotado em 2000.

A FIEP no Início do Século XXI

No Congresso Mundial de Foz de Iguaçu (Brasil) é eleita a nova diretoria da FIEP:

Presidente: Manoel Tubino (Brasil)
Vice-presidente Internacional: Othman Al Saad (Arábia Saudita)
Vice-presidentes
América do Norte: Robert Koehler (EUA)
Europa: Robert Decker (Luxemburgo)
América Central e Caribe: Arnaldo Rivero Fuxa (Cuba)
América do Sul: Jorge Otañez (Argentina)
Oceania: Grant Jones (Nova Zelândia)

Secretário-geral: Almir Gruhn (Brasil)
Tesoureiro: Paulo Antonelli (Brasil)

John Andrews, ao passar a presidência para Manoel Tubino, é eleito Presidente de Honra da FIEP. Tubino é o primeiro latino americano a tornar-se presidente da Fédération Internationale d’Education Physique.

No Congresso de Foz de Iguaçu (janeiro/2000), o Manifesto Mundial FIEP 2000 de Educação Física, redigido e relatado pelo já presidente Manoel Tubino, é aprovado por unanimidade na Assembleia Geral da Federação. Também nesta assembleia é aprovada a criação da Seção Educação Olímpica, que passa a ser presidida por Deanna Binder (Canadá).

Marcas Históricas da FIEP

Ao longo dos seus 80 anos, a FIEP deixou algumas marcas na história da Educação Física Mundial. São elas:
1ª) a FIEP é o organismo internacional da Educação Física mais antigo do mundo.
2ª) a FIEP edita a revista (“journal”) internacional mais antiga do mundo e a que mais saiu ininterruptamente (desde 1931).
3ª) a FIEP editou dois Manifestos Mundiais da Educação Física (1970 e 2000), nos quais são estabelecidos o conceito de Educação Física, seus valores, suas relações e seus compromissos.
4ª) a FIEP é o organismo internacional da Educação Física que tem o maior número de países participantes.

A Missão Atual da FIEP

A FIEP, no exercício de suas responsabilidades e compromissos, tem uma missão definida para os próximos anos, a qual pode ser expressa nos preceitos abaixo:
1. Difundir o Manifesto Mundial FIEP2000 da Educação Física.
2. Promover Congressos, Cursos, Encontros etc, de Educação Física pelo mundo.
3. Editar o seu Bulletin e difundi-lo pelo mundo.
4. Integrar suas ações com outros organismos internacionais.
5. Promover estudos e discussões nas suas seções Científica, Esporte para Todos, Educação Física Escolar e Esporte Escolar e Educação Olímpica.
6. Desenvolver junto com a Arab Sports Confederation – ASC a promoção e julgamento do Prince Faisal Bin Fahad International Prize.
7. Reconhecer com a Cruz FIEP de Mérito Internacional os grandes nomes da Educação Física mundial e aqueles de relevantes serviços pela FIEP.
8. Conseguir mais membros para a Comunidade Mundial da FIEP e estimular entre os delegados nacionais a criação de redes de delegados adjuntos.